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nuages dans mon café

Quotidiano, inspirações, fotografia, filmes e outras coisas.

nuages dans mon café

As recordações e os desafios da vida

Livre e sem limites. Ou melhor, os limites que a vida lhe impõe.

 

Amanhã faz exactamente 1 ano que a minha avó morreu. Que deixou de sofrer numa cama, presa, sem conseguir falar, sem conseguir se mexer. Que deixou dois meses de angústia e sofrimento. Acho que foram assim os 2 meses mais longos da minha vida, os mais duros, embora agora tenha tido 1 ano inteiro de obstáculos, sei que nada mais custa do que ver alguém que amamos preso numa cama, sem acção, sem sabermos se tem fome ou se tem sede, se tratam bem dela ou não, se ela se lembra de nós ou não.

Lembro-me de ter ido para Évora na quinta-feira, com o plano de tratar dos trabalhos nesse fim-de-semana e terminar logo o semestre. Só que na sexta-feira à tarde, estava com a C - colega de casa - num café a lanchar e a minha mãe liga-me a chorar e conta que a minha avó tinha morrido. Sei que nesse momento fartei-me de chorar e o senhor do café perguntou à C: está a chorar? mas está doente?. E eu disse que não era doença, era outra coisa. Então lanchei, fiz os trabalhos que tinha para fazer e nessa noite chorei imenso!

No dia a seguir regressei logo de manhã cedo, passei na florista para levar um ramo e segui até casa. Tentei conter-me no velório, não quis ver o rosto da minha avó dentro daquela caixa. Na igreja mantive-me calma, mas à saída só tive o pensamento de é a tua última viagem, avó, e foi aí que tudo caíu, que deixei de me conter, que cada pessoa que me tocava me fazia chorar mais. Acho que se compreende.

No cemitério lembro-me de estar mais calma, só que ao abrirem o caixão e eu começar a ver os meus pais a chorar, toda a gente a chorar, ver o rosto dela - mesmo de longe - dentro daquilo, não aguentei! O G bem que me amparou, bem que tentou acalmar-me, mas até ele estava de rastos. Toda a gente me queria falar e eu não suportava isso.

Foi duro e continua a ser, porque a casa mantém o cheiro dela, as coisas dela no mesmo sítio de sempre, cada situação tem o toque dela, até o Scott me faz lembrar dela. Mas sei que aquele sofrimento tinha de acabar. E se sofreu, coitada.

 

Amanhã também o meu pai enfrenta outro desafio! Vai começar de novo os tratamentos de quimioterapia, que desta vez tem 4 ciclos de duas semanas e uma de pausa. Vai terminar em Abril - mais um tempo de espera - e será de novo operado em Maio - mais uma ansiedade. E como o outro dizia É bola para a frente!. Afinal, mais vale prevenir do que remediar, não é? Veremos como será desta vez.

 

 

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