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nuages dans mon café

Quotidiano, inspirações, fotografia, filmes e outras coisas.

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Falemos então de bullying

 

Não é um tema que me agrade muito falar, mas uma vez que é o tema do momento, achei que deveria dar a minha opinião sobre ele. Não é que seja obrigada a isso, só que estes casos, para quem já passou por eles, acabam por dar a volta à cabeça e trazer recordações não muito boas.

 

Hoje vinha para o trabalho e estava a ouvir o Martinha no Café da Manhã da RFM a comentar este assunto em tom de brincadeira, mas dizendo a verdade. Os bullies só actuam em grupo, só são capazes de fazer alguma coisa aos outros, se tiverem um público para se rir, para lhes dar apoio moral e para estarem nas costas deles, caso contrário são fracos ou mais fracos do que aqueles que os atacam. No vídeo do rapaz a ser agredido (o vídeo do momento, claro está!), vemos isso mesmo: duas miúdas, motivadas por mais 2 ou 3 a espicaçar e a maltratar o rapaz. E é assim que eles funcionam, todos! Depois quem sofre nas mãos destas "bestas", queixa-se, mas serve de quê? Ninguém se importa, ninguém faz nada, ninguém ajuda e a única coisa que dizem é tenta ignorar, como se fosse fácil.

 

Falo disto com mais certezas porque fui vítima de bullying no meu 9º ano, tinha eu 14 anos, embora tenha começado aos 13. Foi esse ano lectivo inteiro a apanhar física e psicologicamente de uma gaja que é tão estúpida quanto burra e por detrás dela existiam os meus colegas todos de turma e os amigos ranhosos dela, que influenciáveis como eram, acreditaram nas tretas delas e só se riam e a assistiam encostados à parede, como se tivessem a ver um espectáculo. Para qualquer lugar que eu fosse, se ela viesse na minha direcção, arranjava maneira de não me deixar passar e de me afincar as unhas. Adiantou-me de algo queixar-me na direcção? Não. Nem comentei com os meus pais grande parte das coisas por vergonha, por me sentir fraca. Era preciso respirar fundo para sair da cama pela manhã, para pensar vou concentrar-me na escola, vou acabar isto este ano e aquela gaja vai ver, mas era todos os dias arroz, todos os dias a mesma coisa. O pior disto é que ao longo do ano, a ira da criatura foi caindo sobre mais pessoas, aí começaram a ver o que era aturar aquilo todos os dias, mas para mim foram meses.

Quando terminei o básico, com notas excelentes, e fui para o secundário, ia no mesmo autocarro que ela... nem têm a noção das peixeiradas que eram, da estupidez daquela besta, que dizia que eu lhe mandava mensagens e ligava de um número não sei das quantas, quando eu nem tinha aquele número, nem sabia do que ela estava a falar. Possivelmente tinha mais inimigos do que amigos, mas bom, quem semeia ventos, colhe tempestades.

 

O mais interessante nisto é que hoje em dia ainda não nos falamos, ela continua a olhar para mim com "cara de ranço", é da mesma terra que eu, mas eu nunca mais pisei na casa dela (tem um café) e ela foi à minha, visitar a minha sobrinha, mas deu para sentir que estava em terreno frágil, tanto que nem piou. E os amigos dela hoje em dia nem sequer são de grandes confianças comigo. Mas isto foi bom! Eu cresci! Cresci muito à pala disto, aprendi a ter mais confiança em mim, a dar menos confiança aos outros, a mostrar uma atitude diferente para impôr respeito ou aquela certa distância. Não é mau, até porque continuo a ser uma pessoa descontraída, calma e que gosta de um pouco de diversão, apenas tenho um olho no burro e outro no cavalo, como se costuma dizer.

No meio disto tudo só quero dizer mais uma coisa, não me venham com histórias porque ser vítima de bullying nunca se esquece, nunca mesmo!

» Créditos da imagem: the guardian

 

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