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nuages dans mon café

Quotidiano, inspirações, fotografia, filmes e outras coisas.

nuages dans mon café

Há dias assim

Há dias em que por mais que tente ser dura, aguentar um dia inteiro, há sempre qualquer coisa que acaba por tomar conta de mim. É só chegar à cama, deitar a cabeça na almofada e parece que o fardo que carrego me cai todo em cima como um meteorito.

 

Fiquei mais um semestre na universidade, a terminar cadeiras em atraso, mas são das mais trabalhosas. Tenho andado a 1000 à hora, tentando ter forças para organizar o meu tempo, adiantar todos os trabalhos ao mesmo tempo, mas não anda fácil. Tento agarrar-me ao que posso para me conseguir levantar cedo, para continuar empenhada, para continuar na luta, mas não está absolutamente nada fácil. O G ainda me dá um impulso, só que também sei que ele está farto de me dar na cabeça para me manter firme e eu muitas vezes não lhe ligo nenhuma e armo-me em preguiçosa.

 

Estes últimos dias têm-me deixado no chão, completamente. Fez um ano que a minha avó meio que partiu com o AVC que a manteve numa cama durante 2 meses sem falar e, não sei, sem nos conhecer e que a levou para longe de nós. E recordar tudo isso deixa-me como há um ano ou pior, porque como se não bastasse a saudade, também o meu pai está a lutar contra o maldito de um cancro e foi operado há pouco tempo. Será que a vida não dá espaço de manobra? Espaço para vir só uma desgraça de cada vez? Tem que vir tudo junto como as mulheres quando vão ao WC? Enfim.

É disto que me queixo sempre que vou dormir, é isto que tento ignorar para me poder manter focada no meu objectivo: acabar isto, buscando forças aos meus pais, ao G e onde quer que eu possa ir apoiar-me.

 

Muitas vezes falo com o G sobre emprego, o que fazer depois da universidade, essas coisas. Ele diz-me sempre para eu escolher o que quiser, se for longe e for bom para mim, que posso ir sem problema, ele está aqui para mim. Mas não era capaz de deixar a minha vida cá. De deixá-lo cá. Não me vejo capaz disso, nem de perto, nem de longe. Estando em Évora 2 semanas sem o ver, já é horrível, quanto mais 1 mês, 4, 6 meses, 1 ano... não vejo isso para mim e nem quero. Gosto muito de estar perto dos meus e, se me for possível ficar por perto, vou ficar sempre!

 

Quanto aos trabalhos, tenho estado numa guerra comigo própria todas as manhãs, quando o corpo pede descanso e a mente exige que me mova. Os trabalhos estão encaminhados, inclusive já terminei um, mas é difícil ver a luz ao fundo do túnel quando se está neste stress enorme, entre o stress que já é ter trabalhos práticos suficientemente exigentes para acabar dentro de 3 semanas e o stress que é querer estar perto da família numa altura destas. O G pediu-me para que me esforçasse, para o fazer pelo meu pai, por ele, pela pequena, por mim... e eu estou a trabalhar a todo o vapor para conseguir fazê-lo. Não quero desiludir ninguém, nem a mim. Vamos a ver como correm os próximos dias. A ver se não me deixo cair de novo...